
Foi sentada no sofá da sala... assistindo a Premiação do Oscar ao lado da mãe que a ficha caiu. Estávamos jantando e conversando, e eu percebi que aquele momento, tão comum no nosso dia-a-dia iria se tornar algo de uma vez ao mês, quando muito. Aquela conversa simples, de o que vamos ter que fazer amanhã, como foi o final de semana e por ai adiante vão ficar para trás. Em poucas semanas, eu estarei sozinha, no sofá da minha casa alugada em São Paulo, provavelmente comendo comida congelada, ou teleentrega. As conversas com a mãe serão através do telefone ou da tela do computador, graças ao Skype. Mas serão distantes. Se ela começar a chorar, não vou mais poder oferecer o meu abraço para conforta-la.
Não estarei mais aqui pela manhã para dizer se a saia combinou com a blusa, nem ela para me acordar depois de uma noite forte, quando cheguei as cinco da madrugada em casa.
Vamos nos separar, parceiras de uma vida inteira. Mas as duas sabiam que um dia esse dia iria chegar, e só iria nos fazer crescer. Talvez a nossa relação de mãe e filha fique ainda mais forte. Pois com a distância as pessoas brigam menos, e quando se encontram, o que mais querem é se dar bem. As brigas bobas do dia-a-dia não irão mais ocorrer, e os jantares serão apenas para contarmos as novidades das últimas semanas, uma para a outra. Sei que iremos sentir falta, muuuuuita falta. Mas é para o crescimento das duas. E também sei, que um dia, iremos olhar para trás, e lembrar da época que morávamos juntas, com carinho. É mais uma etapa da minha vida que se fecha, e outra que se abre. São as portas e janelas da nossa caminhada que se modificam, e com elas, nos transformamos. Em pessoas melhores, tenho certeza.
A foto foi em Barcelona, na Praça de Palau, projetada por Gaudí, e seu famoso lagarto ao nosso lado.
Mãe, Te Amo!!!
Bjoooo