Thursday, 6 March 2014

Surpreendente

Hoje vou escrever mais para compartilhar comigo mesma um sentimento diferente de tudo o que eu já havia passado antes, do que para narrar uma viagem, ou falar sobre expectativas, frustrações e anseios.
Diferentemente dos últimos anos, este Carnaval eu passei em casa, literalmente.

Quem me conhece sabe como fui festeira, rueira, baladeira e todos outros adjetivos que liguem à festa. Mas pelo que estou começando a perceber foi uma fase, que eu precisava passar, para conhecer, vivenciar, mas que não faz mais parte do meu dia a dia, muito menos das minhas preferências.

Quando era mais nova, lá pelos meus 18 anos, por incrível que pareça também era mais caseira, gostava de fazer uma festa vez ou outra, claro, mas não era minha principal escolha. Lembro que ia todo final de semana ao cinema, preferia viajar para praia ou serra do que ficar em Porto Alegre e adorava sair para jantar. Depois fui morar fora, lá eu percebi que na rua podia fazer amizades, esquecer um pouco a saudade da família, e comecei a sair como saía aos meus 16 anos.

Voltei para Porto Alegre e só queria saber de festa, balada e agito. Me mudei para São Paulo, fiz amizades que acabaram me levando para a noite também, e gostei. Algumas destas amizades continuam até hoje, mesmo que a balada não faça mais parte da minha rotina. Foram anos bons, que hoje vejo que eu precisava viver para agora entender o que é prioridade na minha vida, sem nenhuma dúvida ou anseio.

Por que estou contando tudo isso? Porque acho que tudo o que passamos e sentimos tem uma raiz, tem um porquê. Agora, voltando ao objetivo inicial de escrever este post. O sentimento que senti neste carnaval foi de ninho completo, me senti em casa no sentido de lar da palavra, me senti completa e plenamente satisfeita. Não foi apenas o fato de eu querer por muitos anos ter novamente um cachorro em casa, nem só pelo fato de ter ao meu lado um companheiro como nunca imaginei encontrar. Mas foi pelos dois fatos juntos, e muitas outras vertentes que resultaram neste sentimento de lar completo, ninho preenchido.


Não estou dizendo que para mim está bom assim e não quero mais nada. Mas hoje, e naquele momento, isso me basta. Quero mais, claro. Quero ter a minha casa para dizer que é minha, quero casar, ter filhos, netos, mais cachorros... Mas isso é mais para frente. O que eu tenho condições de ter hoje e o que eu tenho me completa. A distância atrapalha, claro, mas não interfere neste sentimento de satisfação. De saber que encontrei alguém que está me ajudando a construir este lar, mesmo que distante a maior parte do tempo, quando presente, ele faz até mais do que precisa, tudo isso para me ver feliz.

Pois bem, foi este sentimento único, diferente e mágico que senti neste Carnaval. Não queria sair de casa, gostei de ficar ali, com estas duas pessoinhas que hoje são meu mundo, me completam e me entendem. Por isso eu agradeço à vida, à Deus, à Buda, à Alá, à Oshum e a quem quer que seja, por este sentimento e este momento. E que tudo isso permaneça, e só continue a crescer e amadurecer.

Friday, 21 February 2014

Think Olga - Campanha Chega de Fiu-Fiu

Quando falamos em machismo e feminismo temos o costume de ser extremistas, fechados a opiniões externas e sem querer nem debater os temas. Nunca fui a favor de nada que seja muito radical, mas tem certas coisas que não há justificativa.

Hoje, lendo a Folha de S. Paulo, fiquei sabendo sobre o blog Think Olga. Ideia de uma jornalista aqui de São Paulo, o blog fala muito sobre o papel da mulher na sociedade e a "discriminação" desta mulher com abusos e comentários machistas. A proposta do blog em lançar a campanha Chega de Fiu-Fiu - tu pode ver aqui o vídeo - eu achei genial.

Afinal de contas, quem gosta de estar caminhando na rua e de repente um cara te olha com cara de tarado e fala "ô gostosa"? Bem, eu não gosto. São situações que causam constrangimento e dá muita vontade de pegar e olhar pro cara e falar: "Perdeu alguma coisa?".

Desde pequena, quando pegava ônibus com a minha vó, aprendi a ficar quieta para este tipo de provocação. Quando via alguma mulher na rua levar uma cantada ficava constrangida por ela, e a minha vó falava: "Fica quieta Renata, não vamos arrumar confusão". Entendo que ela queria me proteger.

Mas quantas vezes será que a minha vó não ouviu absurdos na rua quando era mais nova e precisou ficar quieta? Quantas vezes a minha mãe e minhas tias não ouviram caras que elas nem conheciam chamá-las de gostosas e coisas parecidas? Ainda não criei coragem de encarar um safado desses na rua e mandá-lo longe. Mas um dia ainda vão me pegar em um dia ruim e eu conta para vocês o que aconteceu.

Agora eu quero dizer que sim, para isso sou feminista ao extremo, acho desrespeito, falta de educação e assédio fazerem isso. E quem sabe, na próxima vez que eu passar por uma situação dessas, eu não crie coragem para falar poucas e boas ao sujeito. Tenho certeza que ele vai pensar duas vezes na próxima vez que ele quiser constranger uma mulher.

Thursday, 13 February 2014

Chanel

Ela chegou no dia 1º de fevereiro lá em casa. Estava acuada, não entendendo muito bem o que estava fazendo ali, longe de seus irmãos, em uma casa com teto, quentinha e acolhedora, rodeada de pessoas em sua volta.

Ela chegou já com cara de sem-vergonha, mas ainda não tinha coragem de sair correndo pela casa, pelo contrário, ela passava a maior parte do tempo dormindo. Parecia que ela tinha chegado em casa após um longo período longe, e tudo o que queria era descansar. Ela estava tranquila e serena.

Já no seu primeiro dia percebeu que a nova casa tinha regras, xixi apenas no jornal, se não leva palmada. Subir no sofá só se for convidada, e a hora de dormir é na sua cama, para evitar surpresas pela manhã. Mas todas essas regras e imposições não a deixaram cabisbaixa, pelo contrário, ela se adaptou rapidinho.

Ela aprendeu que deve aproveitar os momentos no sofá ao máximo, as poucas horas que ela ganha na cama da mamãe, ela usa e abusa para dormir, rolar e se virar. Já entendeu que o xixi é no jornal, e sabe quando faz algo errado, mas sabe também que se faz certo ela ganha biscoito.

Por falar em biscoito, em menos de uma semana ela já sabe que só vai ganhar se sentar e pular. Ela é esperta e aprende rápido. Dormir sozinha em sua caminha não é nenhum problema, é levada até lá no colo, ganha beijinho de boa noite e lá ela fica. Volta a dormir e só acorda na manhã seguinte, quando a mamãe vai acordá-la para a meia hora de liberdade na cama na hora da preguiça.

Mal ela sabe que sua chegada foi muito aguardada por mais de um mês, seu nome foi debatido, criamos lista e tudo mais. Antes dela ser definitivamente adotada, rolou consulta com o papai. Afinal, a mamãe ia precisar se dedicar a ela e suas viagens para visitar o papai seriam menos frequentes. Mas nada disso deixou a mamãe e o papai com dúvida, eles sabiam que faltava alegria na casa, uma arteira para pular em seus colos, e querer morder seus calcanhares.

Hoje, com quase duas semanas que a Chanel entrou na vida deles definitivamente eles já perceberam como ela é especial. Com seu jeitinho moleca levada ela conquistou os corações dos dois babões, que não sabem mais como seriam suas vidas sem ela.

Uma família que a ama incondicionalmente, que mesmo a vovó longe também já está apaixonada. E uma maninha que mal imagina que ela exista, mas que sabemos que quando elas se conhecerem vão virar melhores amigas.

Sabíamos que estava faltando algo em nossas vidas, mas admito que nunca imaginamos que ela se tornaria tão importante em tão pouco tempo. Chanel, seja bem-vinda meu amor. Essa família te ama!

Thursday, 30 January 2014

Dia da Saudade

Saudade, palavrinha essa que só existe no nosso dicionário e tem um sentindo tão único e especial.

Há quem diga que existe dia para tudo, dia da água, dia da árvore, dia do amigo, dia do carteiro, dia dos namorados. Concordo em parte, cada dia é dia de uma coisa ou alguém, mas o dia da saudade admito que gostei. Não é um dia que instiga ao consumismo desenfreado, mas sim um dia para pensarmos em tudo o que nos dá saudade.

Para quem mora longe dos pais, do namorado e dos amigos de infância, como eu, esse dia tem ainda um sentido mais especial. Apesar de eu sentir saudade deles todos os dias, hoje parei para refletir um pouco mais fundo o que é essa saudade.

Essa saudade representa o amor que sinto por eles, tanto pela minha família quanto pelos meus amigos e namorado. Sentir falta de alguém é uma manifestação de que você gosta daquela pessoa, e acredito que quanto mais saudade sentimos, maior é esse sentimento. Falo com a minha mãe todos os dias, desde o dia que resolvi mudar para São Paulo. E por incrível que pareça, muitas vezes me sinto mais próxima dela aqui do que era quando morava ainda em Porto Alegre. Tem dias que meu pai me liga e cobra por que eu não liguei ainda para ele naquela semana. Ouvir essa cobrança é tão bom, me sinto querida, amada. E apesar da saudade, posso dizer que me aproximei mais da minha família distante. Controverso? Talvez.

Quem sabe aquele provérbio de que só damos valor quando perdemos seja por um lado verdade. Não perdi nem meus pais nem meus amigos, mas me afastei, e ao sentir falta deles hoje vejo como são importantes na minha vida, mesmo que distante.

Receber a visita de amigas e primas aqui é rejuvenescedor. Fico extasiada toda vez que uma amiga me liga perguntando se pode vir me visitar, seja para usar a minha casa como abrigo para um curso, para ficar o final de semana e ir para balada, para vir num show comigo, ou simplesmente para fazer nada, apenas curtir a amiga que está longe. Mal sabem elas como me fazem feliz.

E o namoro, bom, melhor não entrar muito em detalhes ou vou começar a chorar. Só sei que ter um relacionamento à distância não é nada fácil. E a saudade que bate todos os dias é inimaginável. Essa saudade é diferente de todas as outras, é uma saudade que dói, machuca. Saudade dos pais e das amigas é uma saudade de momentos bons, mas que na maioria das vezes com um simples telefonema é suprida. Já a saudade de quem a gente escolheu para ser nosso parceiro, amigo e confidente é outra. É uma saudade que nem dá para explicar, mas ela também existe, e sua potência parece ligada no 220 volts.

Mas existe outro tipo de saudade também, é a saudade daqueles que já se foram. Essa saudade eu acho que é a mais complicada de descrever, pois é uma saudade que não irá passar, ela fica mais branda em alguns momentos e mais presente em outros. Ela faz a gente recordar bons momentos que não voltarão. Faz a gente lembrar quão especiais foram aquelas pessoas, que Deus levou para perto dele. É uma saudade de nostalgia, de um tempo que passou e não volta mais.

O dia da saudade é isso, lembrar que existem diversas formas de saudades e todas elas com apenas um porquê. Porque gostamos muito daquilo que já tivemos e hoje, agora, está distante, mesmo que amanhã volte a ficar perto, assim que se afastar a saudade volta a bater.

Tuesday, 28 January 2014

Zoo de Lujan

Férias de uma semana nem deveriam ser consideradas férias, mas sim um feriado sem data comemorativa estendido. Tudo bem que foi eu quem solicitou apenas uma semana, mas hoje eu vejo que é sacanagem. Mesmo que a gente aproveite muito, como eu aproveitei, fica um gostinho monstro de "quero mais".
Fomos para a capital portenha de Buenos Aires, apesar da crise forte que atinge a Argentina, conseguimos bons preços com câmbio de reais e curtimos muito, sempre regados a muito vinho merlot!!

O principal passeio que fizemos e objetivo de termos escolhido Buenos Aires como primeira viagem internacional do casal foi o Zoo de Lujan.

Ele é considerado uma das maiores reservas de felinos da América Latina. É um zoológico particular que está em funcionamento há mais de 20 anos. Seu maior diferencial é a maneira como seus tigres e leões são criados.

Desde pequenos eles convivem diariamente com cães nas jaulas, estes cachorros são os principais "adestradores" dos felinos, eles mordem quando as brincadeiras ficam brutas e também mostram como ter uma boa convivência com seres humanos.

Além dos cachorros ficaram nas jaulas constantemente, os treinadores também supervisionam todos os passos dos animais enquanto os turistas permanecem nas jaulas.




Isso mesmo, a grande atração do Zoo de Lujan é que entramos nas jaulas, fazemos carinhos nos animais e até damos leite na boca deles. Uma experiência emocionante e sem igual. Mas claro, sempre queremos mais.

Ficamos um pouco tristes com o fato do zoológico permitir que tenhamos uma interação pequena com os animais. Não ficávamos mais de 5 minutos em cada jaula, quando muito. E a maior parte do tempo que estávamos fazendo carinho e querendo interagir com eles, eramos chamados pelos fotógrafos do zoológico e dos Super Guias para olhar para a máquina.

Mas de qualquer maneira, foi uma experiência única, e agora vamos em busca de outros lugares que nos proporcionem vivências parecidas, mas mais livres, com mais tempo de contato e maior interação com os animais. Acho que ficamos viciados em felinos de grande porte!! ehhehe


Além dos tigres e leões, também interagimos com os diversos patinhos e seus filhotes que ficavam soltos no local, assim como Elefantes, Ursos e Lhamas.

Foi um dia fantástico que vivemos e super indicamos.

Wednesday, 8 January 2014

Seja Bem-Vindo 2014

Prometi que iria postar a foto no dia seguinte, né? Pois é... esqueci!! Faz parte gente, nem tudo acontece conforme planejamos. 

Este post é sobre o ano que há oito dias chegou, e promete ser um ano bem diferente do que os últimos que passaram. Digo isso por diversos motivos. Um dos principais motivos é por causa dessa pessoa aí da foto. Ele surgiu na minha vida quando eu menos esperava (pode parecer clichê, mas é a mais pura verdade), e a maneira que ele entrou fui surpreendente. Desde este dia, que hoje completa cinco meses, eu percebi que muita coisa em mim mudou. 

Reveillon Jurerê Internacional - 2014
Por isso, além de falar sobre as minhas expectativas para 2014, eu quero agradecer. Dizer um muito obrigada à vida, ao destino, à Deus, ou seja lá quem estiver guiando meus passos. O destino colocou essa pessoa incrível na minha vida. Um amigo, companheiro, confidente, namorado, parceiro, um cara tudo de bom, que se houvessem mais caras como ele, o mundo seria um lugar muito melhor! Alê, nestes cinco meses que tu estás presente diariamente na minha vida, só posso te falar: Muito Obrigada. 

Muito obrigada por me fazer rir todos os dias. Muito obrigada por me ouvir e não me julgar, mesmo que as nossas opiniões sejam diferentes. Muito obrigada por me dar carinho mesmo que há 400 km de distância. Muito obrigada por me mimar sempre que estamos juntos, pelos domingos de NFL que aprendi a curtir, pelas aulas de Hobbit, Senhor dos Anéis e Harry Potter. Muito obrigada pelo apoio nas minhas maluquices e incentivo em ter adotado a nossa princesa. Muito obrigada pelo teu entusiasmo ao conhecer a minha família e pela paciência que tens tido comigo. Muito obrigada pelas alegrias que compartilhamos juntos, pelas palavras de carinho, amor e cumplicidade. 

E vocês ainda querem saber por que estou esperando um 2014 diferente? Porque além de tudo isso ele começou de uma maneira tranquila, em paz, e com muito amor. Senti uma energia diferente no meu primeiro dia do ano, uma felicidade genuína que não sei nem explicar. 

Já no início do ano adotamos uma cachorrinha linda, que chegará no final do mês para alegrar ainda mais nossos dias. No primeiro sábado do ano comecei um curso de meditação em um centro Budista. E já li um livro. Bom esse ano, não?

Por isso eu desejo que todos vocês também tenham um 2014 maravilhoso, iluminado e cheio de alegrias e realizações. Pois eu farei o meu máximo para que o meu ano seja assim, tão bom quanto foi o final do meu 2013! 

Friday, 3 January 2014

Tchau 2013

O ano de 2013 já passou.

Um ano contraditório. Começou mal, muito mal. E terminou bem, muito bem.

O que prometia ser um ano ruim, se mostrou um ano mágico. 
Com amigas muito queridas se aproximando, viagens maravilhosas ao lado da minha mãe, visitas de pessoas muito queridas, shows e festas divertidíssimas, encontro com uma amiga distante, uma pós-graduação na USP, corridas, um afilhado postiço lindo, novas amizades e para fechar com chave de ouro, um amigo, amante, namorado e companheiro que eu não fazia ideia que pudesse existir.

Agora chegou 2014. 
Começamos com o pé direito. 

Muito amor, carinho, amizade, família reunida e até promoção no trabalho. Como pedir mais? Só quero que este ano continue assim, lindo e maravilhoso como o final de 2013 e o início de 2014.

A melhor maneira de agradecer por 2013 é colocar tudo em foto, e para pedir um 2014 melhor ainda? Também vale foto. Mas essa foto fica pra amanhã :)


Thursday, 5 December 2013

Pessoas

As pessoas surpreendem e as pessoas decepcionam, isso tudo depende do nível de expectativa que criamos e do que imaginamos receber de retorno.

Pensei hoje nessa frase e colocando ela no "papel" percebi como ela faz sentido. Quando estamos muito envolvidos em uma situação às vezes não percebemos que mesmo sem querer começamos a criar expectativas em relação à outra pessoa. Isso é muito injusto. Pois quando criamos expectativas ou ficamos imaginando receber um retorno em relação a um determinado assunto, estamos esperando aquilo que provavelmente nós mesmos faríamos e esquecemos, mesmo que inconsciente, que a outra pessoa não é a gente.

Não podemos achar que o certo é o que nós acreditamos ser. Quem disse que existe o certo e o errado? Pode existir o mais apropriado e o menos apropriado, mas não significa que seja mais certo ou mais errado, é apenas diferente do que esperamos.

Por outro lado, quando imaginamos receber um retorno negativo e somos surpreendidos com uma resposta gentil e educada, ficamos surpreendidos. Tudo é uma questão de ponto de vista.

Saber que o ideal é não esperar nada das pessoas com quem convivemos, todos nós sabemos (ou deveríamos saber), colocar isso em prática sem deixar que o nosso inconsciente trabalhe é um pouco mais complicado. Mas nada impossível.

Cabe a nós nos analisarmos com maior frequência, e assim pensarmos mais racionalmente, sem deixar o emocional guiar nossas ações e expectativas.