Saturday, 29 November 2014

Excluída Digital?

Faz quase um mês que estou sem smartphone. Tenho celular, dois na verdade, mas nenhum deles tira foto, tem whatsapp ou acessa a internet. O motivo é simples, fui assaltada e no momento gastar mais de três dígitos em um aparelho não é minha prioridade. Por isso peguei um aparelho antigo, básico, sem muitos recursos, mas faz o mais importante: liga e manda sms (ao menos era assim no início dos anos 2000).

Curioso como um pequeno aparelho tem tanto poder. Ele te aproxima ou te afasta dos teus amigos, te permite compartilhar muitos momentos quase em “livestreaming”, possibilita você checar seus e-mails durante aquela reunião chata, ajuda a passar o tempo na fila do banco, entre muitas outras coisas que quando ele surgiu ninguém imaginava que um dia poderia fazer.

Eu, particularmente, estou me adaptando muito bem à falta de toda essa tecnologia, e até gostando, devo admitir. Percebi que estou mais focada no que estou fazendo, seja assistindo TV, lendo um livro, almoçando e até durante o trabalho. Além disso, fiquei mais observadora em relação às atitudes das pessoas com seus smartphones. É curioso ver que hoje quem come sozinho no shopping, por exemplo, não larga o tal celular, nem na hora de mastigar. Tirar foto parece ter ganhado um novo significado: “Se não foi fotografado, não aconteceu”.  Mas as coisas ficam ainda piores, as pessoas estão perdendo a capacidade de imaginar cenários, roupas ou momentos. Se você tenta narrar alguma coisa a primeira pergunta vem antes dos primeiros 10 segundos: “Tem foto?”.

O mais impressionante disso tudo é ouvir, toda vez que eu respondo não, a pergunta de como eu vivo sem um smartphone. Não sou rude, mas em certos momentos tenho vontade de ser. Afinal, eu vivo muito bem sim, e invejo muito meus pais quando tinham a minha idade. Eles tiravam foto só durante as viagens e datas especiais, e não eram questionados ou cobrados por isso. Não precisavam ficar mandando mensagens um ao outro de meia em meia hora, e dois sinais verdes não ditavam o nível do relacionamento deles. Eles não eram cobrados por não terem visto um e-mail quando estavam fora do trabalho, nem tomavam bronca se o celular ficava muito tempo sem serviço. Afinal, esse maldito aparelho não existia, e honestamente? Acho que naquela época as pessoas eram mais felizes, suas vidas não eram expostas no mural de um milhão de pessoas, eles aproveitavam os momentos enquanto os viviam e sabiam que uma relação é muito mais do que quantas mensagens as pessoas trocam durante o dia.


Pensando em tudo isso, eu digo que não, não me acho uma excluída digital, apenas resolvi deixar o digital em casa e no escritório e não levá-lo sempre comigo, ao menos não agora. E estou adorando essa experiência.

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