Curioso como um pequeno aparelho tem tanto poder. Ele te
aproxima ou te afasta dos teus amigos, te permite compartilhar muitos momentos
quase em “livestreaming”, possibilita você checar seus e-mails durante aquela
reunião chata, ajuda a passar o tempo na fila do banco, entre muitas outras
coisas que quando ele surgiu ninguém imaginava que um dia poderia fazer.
Eu, particularmente, estou me adaptando muito bem à falta de
toda essa tecnologia, e até gostando, devo admitir. Percebi que estou mais
focada no que estou fazendo, seja assistindo TV, lendo um livro, almoçando e
até durante o trabalho. Além disso, fiquei mais observadora em relação às
atitudes das pessoas com seus smartphones. É curioso ver que hoje quem come
sozinho no shopping, por exemplo, não larga o tal celular, nem na hora de
mastigar. Tirar foto parece ter ganhado um novo significado: “Se não foi
fotografado, não aconteceu”. Mas as
coisas ficam ainda piores, as pessoas estão perdendo a capacidade de imaginar
cenários, roupas ou momentos. Se você tenta narrar alguma coisa a primeira
pergunta vem antes dos primeiros 10 segundos: “Tem foto?”.
O mais impressionante disso tudo é ouvir, toda vez que eu
respondo não, a pergunta de como eu vivo sem um smartphone. Não sou rude, mas
em certos momentos tenho vontade de ser. Afinal, eu vivo muito bem sim, e
invejo muito meus pais quando tinham a minha idade. Eles tiravam foto só
durante as viagens e datas especiais, e não eram questionados ou cobrados por
isso. Não precisavam ficar mandando mensagens um ao outro de meia em meia hora,
e dois sinais verdes não ditavam o nível do relacionamento deles. Eles não eram
cobrados por não terem visto um e-mail quando estavam fora do trabalho, nem
tomavam bronca se o celular ficava muito tempo sem serviço. Afinal, esse
maldito aparelho não existia, e honestamente? Acho que naquela época as pessoas
eram mais felizes, suas vidas não eram expostas no mural de um milhão de
pessoas, eles aproveitavam os momentos enquanto os viviam e sabiam que uma
relação é muito mais do que quantas mensagens as pessoas trocam durante o dia.
Pensando em tudo isso, eu digo que não, não me acho uma
excluída digital, apenas resolvi deixar o digital em casa e no escritório e não
levá-lo sempre comigo, ao menos não agora. E estou adorando essa experiência.
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